Beatriz Rangel, 14 anos

Beatriz Rangel, 14 anos

Morreu de pneumonia, aos 14 anos de idade, a estudante Beatriz Rangel, filha da enfermeira Danúbia de Souza Rangel, 28, com o traficante Luiz Fernando Sales da Silva, o Mandioca – morto aos 20 anos, em confronto com a PM, em 2003 – e enteada de Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem da Rocinha, 36 – preso desde novembro de 2011 e atualmente na Penitenciária Federal de Segurança Máxima de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul.

Com mais de 3 mil assinantes e 600 amigos no Facebook – onde criou perfil em julho -, a jovem – que era fã do Grupo Bom Gosto, Thiaguinho e Cauã Reymond – curtia marcas como Yves Saint Laurent, Guess, Calvin Klein, Maria Gueixa, Louis Vuitton e Colcci e passava o tempo da internação hospitalar conversando com amigos pela rede social.

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No dia 21 de setembro ela postou: “Como uma pessoa fica 2 semanas com febre direto, isso é normal meu Deus ? :( “. A pergunta recebeu 28 comentários e um conselho para que ela corresse para o médico e fizesse exames, ao que ela respondeu que já tinha ido, mas que os exames não detectaram nada.

Três dias depois, escreveu: “Odeio hospital!!!!! :@ :’(“. Entre suas principais reclamações, a qualidade da comida. Entre uma visita e outra, comemorava quando alguém levava um lanche do Bob’s ou do Mc Donald’s, e também festejou ao ganhar chocolates da Kopenhagen – deixando claro sua adoração por toda a linha Língua de Gato.

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No dia 29 de setembro postou: “Realmente, a coisa mais importante na nossa vida é a nossa saúde, não há dinheiro q compre ! :/” e, logo depois: “Ai não agüento mais ser furada. #pena dos meus braços :(

Demonstrando expectativa de receber alta no dia 1º de outubro, continuou internada e acabou morrendo após três paradas cardio-respiratórias, na madrugada de segunda-feira, dia 8. O corpo foi sepultado nesta terça-feira, dia 9 de outubro, no Cemitério São João Batista, em Botafogo, na Zona Sul do Rio.

Presa em novembro do ano passado acusada de envolvimento com o tráfico de drogas na Favela da Rocinha, em São Conrado, na Zona Sul do Rio, a mãe dela ficou na cadeia pouco mais de três meses. Ela estava em liberdade desde março, por determinação do juiz Marcello de Sá Baptista, da 14ª Vara Criminal. O magistrado entendeu que as acusações contra ela não foram comprovadas.

Orgulhosa da mãe, a menina sonhava cursar Medicina e viajar para a Disney – e pretendia realizar a viagem em janeiro de 2013, em troca da festa de 15 anos. Como qualquer pré-adolescente de sua idade, compartilhava a vida em inúmeras redes sociais. Em uma delas, respondia a perguntas enviadas por amigos e também por desconhecidos.

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Ao ser questionada se tinha vergonha da mãe, respondeu: “Não, tenho orgulho por ela ser guerreira. Não penso em seguir os caminhos dela e nem ela quer.”

Uma nova postagem veio com a pergunta: “Então você acha que ser mulher de traficante que acaba com a vida de muitas pessoas por causa das drogas que eles vendem é ser guerreira?”, e ela escreveu: “Não, mas sim pelas lutas que ela passa por ser uma.”

Falando dos seis irmãos que tinha por parte de padastro – dois com a mãe dela -, revelou só não manter bom relacionamento com a mais velha, Tayna, e lembrou do melhor passeio que fez com a mãe assim que ela saiu da prisão: no RioZoo, na Quinta da Boa Vista.

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