O corpo do traficante Luiz Cláudio da Rocha Mero, o Berola, 40 anos, foi enterrado no Cemitério São João Batista, em Botafogo, na Zona Sul do Rio, na tarde desta sexta-feira, dia 1º de abril. Informações do Serviço de Inteligência da Polícia Militar apontaram que antes de seguir para Ciudad del Leste, no Paraguai – onde foi encontrado morto com cinco tiros de pistola no banco traseiro de uma Nissan Terrano cinza, na última terça-feira, dia 29 de março –, Berola estava abrigado no Complexo do Salgueiro, no bairro de mesmo nome, em São Gonçalo.

Luiz Cláudio da Rocha Mero, o Berola, 40 anos

O criminoso – uma das principais lideranças da facção Comando Vermelho (CV) ainda em liberdade – teria buscado refúgio no conjunto de favelas gonçalenses após a implantação da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) no Morro do Turano, no Rio Comprido, na Zona Norte do Rio, reduto do traficante.

Apontado como o chefe do tráfico no Morro do Turano e na Favela Barreira do Vasco, em São Cristóvão, também na Zona Norte do Rio, Berola seria o responsável pelo envio de drogas e armas para o Complexo do Salgueiro. O bom relacionamento com Antônio Hilário Ferreira, o Rabicó, 45, chefão do pó da comunidade de São Gonçalo, teria facilitado a estada do criminoso no município.

Antônio Hilário Ferreira, o Rabicó, 45 anos

Preso em julho de 2006, Berola fugiu em 2009 após receber o benefício da Visita Periódica ao Lar (VPL) e não voltar para a cadeia. O Disque-Denúncia oferecia R$ 2 mil por informações que levassem à prisão dele.

Desde o ano passado, a Polícia Federal monitora as ligações entre traficantes da favela carioca com os do Salgueiro. Durante uma ação dos agentes na Ponte Rio-Niterói, em janeiro do ano passado, três homens foram presos com 20kg de pasta base de cocaína e uma pistola 9 mm. Eles haviam acabado se sair do Turano e seguiam para São Gonçalo.

O corpo de Berola foi encontrado no banco traseiro de uma Nissan Terrano cinza, sem placa, com as mãos algemadas e perfurações no abdômen e no braço esquerdo. Com o traficante, os policiais encontraram um documento de identidade falso com o nome de José Pereira da Silva e um registro de entrada no Paraguai, com a data de 12 de fevereiro. No interior do automóvel também havia o documento de um Suzuki Swift, cor prata, em nome de Jimmy César Benítez, emitido na cidade de Presidente Franco.

O veículo foi abandonado em um terreno baldio no bairro 23 de Outubro, que é afastado do Centro de Ciudad del Este, e moradores da localidade contaram à Polícia que o carro foi visto pela primeira vez às 21h de segunda-feira. Porém, por causa da forte chuva que caía, ninguém se aproximou do carro. No dia seguinte, resolveram chamar a Polícia depois que um garoto viu que havia um homem dentro do automóvel.

De acordo com investigações policiais, um consórcio de traficantes cariocas e paulistas domina 70% das áreas de plantio de maconha nas cidades Capitán Bado e Pedro Juan Caballero, que fazem fronteira com o Mato Grosso do Sul. O negócio milionário tem à frente o traficante Marcelo da Silva Leandro, o Marcelinho Niterói.

O domínio das áreas de plantio garante lucros astronômicos tanto ao CV quanto ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Enquanto um quilo da droga no Paraguai é comprado por valores que variam de R$ 15 a R$ 30, no Rio o quilo da droga varia entre R$ 1 mil e R$ 1,5 mil, garantindo uma margem de lucro superior a 3 mil %.

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