Matador do Comando Chico Bala é executado em Santa Cruz

Posted: 6th maio 2009 by robertatrindade in Uncategorized

Fotos: Felippo Brando

mili

O policial militar apontado como principal matador da milícia Comando Chico Bala foi executado com pelo menos 20 tiros de fuzil no trecho Rio-Santos da BR-101, em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio, no início da manhã desta terça-feira, dia 5. O soldado André Lixa do Nascimento, 31 anos, havia saído do 27º BPM (Santa Cruz) – onde era lotado há cerca de oito anos – dez minutos antes. O crime ocorreu no dia seguinte ao assassinato do cabo Carlos Jorge Silva Ramos, também de 31 anos – lotado no 32º BPM (Macaé) e uma das principais testemunhas contra integrantes do grupo paramilitar liderado pelo ex-PM Francisco César de Oliveira, o Chico Bala.

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A execução de ontem aconteceu a cerca de um quilômetro de distância do parque público temático Cidade das Crianças. O soldado Nascimento saiu de serviço e foi surpreendido pelos assassinos por volta das 7h50. Agentes da 3ª Delegacia de Polícia Rodoviária Federal (3ª DPRF) foram avisados por motoristas que trafegavam no sentido Itaguaí da rodovia e quando chegaram no local encontraram o carro em que o PM estava – o Passat vinho placa LCK 5708 – ligado. O veículo tinha mandado de busca e apreensão.

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Testemunhas contaram aos policiais federais que um táxi tentou cortar o automóvel do PM e chegou a emparelhar com ele. O soldado conseguiu se afastar e parou seu Passat alguns metros à frente.

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“A via está sem acostamento e tudo indica que ele aproveitou as obras de duplicação da pista para encostar o carro. A impressão é de que ele esperava o táxi se aproximar para fazer uma abordagem, principalmente porque a pistola estava caída no tapete do lado do carona. A posição da arma e da mão dele leva a crer que ele a segurava no momento em que foi alvejado pelos tiros”, afirmou o delegado Aguinaldo Ribeiro, titular da 36ª DP (Santa Cruz).

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O PM estava com uma pistola nove milímetros – de uso restrito das Forças Armadas – com 14 munições e quatro carregadores – sendo um de submetralhadora. Ele também carregava uma declaração provisória de identidade com a explicação de que sua carteira funcional estava acautelada e seu porte de arma estava revogado. As medidas são aplicadas a policiais militares durante processos investigatórios. De acordo com o documento, tanto a arma registrada em seu nome – uma pistola calibre 380 – como sua identidade da corporação estariam na Diretoria Geral de Pessoal (DGP).

O PM estava com uma pistola nove milímetros – de uso restrito das Forças Armadas – com 14 munições e quatro carregadores – sendo um de submetralhadora

O PM estava com uma pistola nove milímetros – de uso restrito das Forças Armadas – com 14 munições e quatro carregadores – sendo um de submetralhadora

O Jornal POVO do Rio entrou em contato com a assessoria de imprensa da Polícia Militar para saber qual era o Inquérito Policial Militar (IPM) a que o soldado Nascimento respondia, mas não obteve resposta, até o fechamento desta edição.

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O delegado Aguinaldo Ribeiro revelou que o PM era apontado como um dos criminosos que invadiu uma vila militar na Rua Padre Guilherme Decaminada, em Santa Cruz, e matou o terceiro-sargento do Exército Rogério Melo de Castro, o Macarrão, 34, no dia 27 de janeiro. O militar era lotado no Batalhão-Escola de Engenharia Villagran Cabrita e acusado de integrar a milícia Liga da Justiça. O grupo, chefiado pelo ex-PM Ricardo Teixeira da Cruz, o Batman, é rival ao Comando Chico Bala.

O delegado Aguinaldo Ribeiro, titular da 36ª DP (Santa Cruz), revelou que há a suspeita de que a arma encontrada com o PM foi utilizada em pelo menos cinco homicídios nos últimos quatro meses

O delegado Aguinaldo Ribeiro, titular da 36ª DP (Santa Cruz), revelou que há a suspeita de que a arma encontrada com o PM foi utilizada em pelo menos cinco homicídios nos últimos quatro meses

“Vamos encaminhar a pistola nove milímetros para confronto balístico, pois além do sargento do Exército, outras vítimas de homicídios na região foram mortas com arma do mesmo calibre. Recebemos a informação de que esta pistola foi utilizada em pelo menos cinco assassinatos”, revelou Aguinaldo.

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PM teria participado de uma execução no dia anterior

Lotado no 32º BPM (Macaé), o cabo Carlos Jorge Silva Ramos, 31 anos, foi assassinado em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, na madrugada anterior à execução do soldado Nascimento. O crime ocorreu por volta das 3 horas. Um ano e meio antes, o PM havia pedido para ser incluído no programa de proteção à testemunha. A solicitação foi feita depois que ele começou a receber ameaças de integrantes do Comando Chico Bala.

O PM era testemunha do crime que ficou conhecido como “Chacina do Bar do Wilson”, ocorrido na localidade de Cosmos, em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio, em 2005. Na ocasião, três pessoas morreram e duas ficaram feridas. Entre os acusados pelas mortes, três ex-PMs apontados como aliados de Chico Bala: Carlos Mendes da Silva Filho, Alan Moreira da Silva, Eduardo Chagas e Alexandre da Silva Monteiro, o Popeye. Todos foram expulsos da corporação devido à essa ação criminosa.

Os outros dois acusados são Nazareno Alves Silva e Josimar José da Silva. Todos estão indiciados no processo número 2005.205.003910-2 da 1ª Vara Criminal de Campo Grande, por homicídio qualificado mediante paga e à traição (três vezes) e tentativa de homicídio qualificado para assegurar a execução de outro crime (duas vezes), além de formação de quadrilha ou bando armado.

Um dos carros utilizados na ação que resultou na morte do cabo Carlos Jorge foi apreendido por agentes do Serviço de Inteligência (P-2) do 35º BPM (Itaboraí), em São Pedro da Aldeia, na Região dos Lagos, cerca de oito horas após o crime. Os PMs se dirigiram ao município com o objetivo de cumprir mandado de busca e apreensão contra os ex-PMs Popeye e Ronaldo Sílvio Guerino Bortolozzo. O veículo – que consta como roubado na área da 35ª DP (Campo Grande), no último dia 7 de abril – estava na residência deste último.

Os policiais também encontraram material de gato net, toucas ninja, camisas da Polícia Civil, farda com o nome de Bortollozo – que foi expulso da corporação em março desde ano, juntamente com Chico Bala – além de facas e material usado em tortura, como tacos de golfe.

O ex-cabo Bortollozo foi indiciado por receptação e o Toyota Corolla vermelho placa ALL 5039 foi encaminhado para exame no Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE). A intenção é verificar se há vestígios de sangue que possam comprovar que o carro foi usado em execuções cometidas pela quadrilha.



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